Reisen (viagens)

(english version coming soon)

A data exacta do nascimento de Hannelore Baader é incerta. Sabe-se que nasceu em meados dos anos 195o perto da cidade de Bremen, no norte da Alemanha. Teve uma vida „pacata“ e criou 2 filhas. Há alguns anos, depois de uma crise profunda e de várias estadias sucessivas em instituições psiquiátricas, Hannelore comecou, por indicação do seu médico – que lhe recomendou viajar e dedicar-se a actividades criativas – a

Anotar, em forma de desenhos (como ela lhes chama) as suas viagens.

Os quadros de Frau Baader transportam-nos para um mundo algo fantástico. Temos perante estes a sensação de mergulhar num lugar que, apesar de ter elementos „reais“, parece, de alguma forma, transcender essa realidade. As montanhas ou formas rochosas, os mares, rios ou lagos (elementos recorrentes neste trabalhos) têm uma dimensão ambígua. Também as „barcas“ pare-cem descontetextuados ou de dimensoes nao reais.

As viagens de Hannelore Baader sao viagens fictícias (ou „não físicas“). Na verdade, esta nunca voltou a sair do seu país natal. Apesar de ser uma mulher perspicaz e sensível, não mais voltou a     estar fisica e psiquicamente preparada para „enfrentar“ viagens pelo mundo. Por não querer desiludir o seu medico e amigo, encontrou outras viagens: a sua memória de infancia (como por exemplo uma viagem ao sul da Alemanha e aos Dolomitas, numa rara ocasião na qual saíu brevemente do seu país natal), a sua paixão intemporal pelas paisagens dos pintores flamengos (como patinir), e por temas como „das narrenshiff“ („navio dos loucos“) e pelo elemento água.

Coadjuvada pelas suas 2 filhas, que lhe mostraram as „maravilhas“ da internet e da possibilidade de aí „viajar“, Frau Baader (verdadeiramente será um „Künstlergruppe“, grupo de artistas, pois os quadros de Frau Baader são resultado da produçao artística de Hannelore e filhas Baader) encontra em fotos na net muitos elemnetos para completar as suas paisagens. Esses elementos sao por vezes „cliqués“ de uma cidade (como o cacilheiro de lLsboa ou o bateaux mouches de Paris), pelo que, por este processo, Frau Baader transporta para, e transforma as suas paisagens „sem lugar“ em locais que todos (re)conhecem,.

Os trabalhos que integram esta exposição são toda a produção de 2012, em termos de „pintura“. Frau Baader, apesar de possuir no seu acervo intermináveis „anotações“ (em forma de pequenos textos, desenhos ou esquiços), recusa-se a mostra-los. Para esta apenas os trabalhos que apresentamos são passíveis de abandonar o seu local de origem.

Ana Luísa Ribeiro